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A arte de liderar

A arte de liderar

Liderança: arte ou desafio?

Exatamente por ser um desafio tão grande, ser um bom líder é uma verdadeira arte.

Eu me formei em administração de empresas em 2013. Desde aquela época já ouvia falar sobre esse assunto o tempo todo. Lembro-me de estudar as teorias da administração e tentar compreender as estruturas hierarquizadas complexas, cheias de cargos, setores, gerentes, diretores e presidentes.

Era muita regra, muita teoria e pouca prática. Muito mais tarde, quando fui empreender, trabalhando com o DeROSE Method, é que fui entender o que havia de mais importante em liderar: o aspecto humano.

Uma coisa eu sempre estive certo, é complexo mesmo… mas visivelmente aquele sistema antigo não fazia sentido na prática.

Recentemente, tive uma aula de liderança que foi muito esclarecedora. Gostaria de compartilhar essa aula com você.

Trata-se de um trecho do livro “O velho e o menino – a instigante descoberta do propósito” de Roberto Tranjan.

O melhor líder de todos os tempos

Curioso, eu aguardava o quarto desígnio. No meio tempo, uma bela notícia: fui promovido a um cargo de liderança. Eu, um líder! Telefonei de imediato ao Velho Taful, comunicando a boa nova. Dias depois, ele me enviou uma breve missiva, como costumava chamar suas cartas, em que comentava o meu novo papel. Dizia assim:


Ilmo, Aladim

Chefe, principal, maioral, capitão, cabeça, caput, capo, mestre, patriarca, prócer, comandante, dirigente, coordenador, orientador, guia, mandante, gerente, diretor, presidente, rei, imperador, cacique, caudilho, mandachuva, morubixaba, tuxaua, czar, sultão, soberano, governador etc. Nomes, apelidos e alcunhas não faltam para identificar quem manda ou exerce influência.

Ao longo da história, encontramos bons e maus monarcas, bons e maus chefes de estado, bons e maus gestores. O que sempre diferenciou um bom líder de um mau líder foi o exercício da liderança, não a denominação.

Nas empresas, a ciência da administração sempre teve grande influência sobre a concepção do perfil ideal de líder e empresta-lhe, agora, uma nova alcunha: o administrador.

Mesmo que se queira dar uma base científica à função do administrador, o que verdadeiramente importa na prática da liderança vem das mais remotas eras. Dos tempos em que o líder se sentava ao redor de uma fogueira junto de seus liderados e, nesse ambiente aquecido e acolhedor, todos conversavam sobre as suas mazelas e desafios.

Já naquela época, e ainda hoje, o melhor líder é quem toma a iniciativa de acender a fogueira, como um claro convite a que os demais se sentem, em círculo. A fogueira, hoje, recebe outro nome: propósito. O líder oferece um propósito para que os liderados também acendam a fogueira dentro de si.

O bom líder – seja de que tempo for – é aquele que sabe incandescer o breu da vida de seus liderados. Mantém o coração da equipe aquecido. No passado remoto, o calor era físico, diante do frio brutal no ambiente e das ameaças da selva. Hoje, é o calor que encoraja diante do frio psicológico e da nova selva, o tenebroso mundo na entropia.

O bom líder de todos os tempos é aquele que deixa o acampamento preparado para quem virá depois dele. Embora tenha havido tantas guerras e disputas, os melhores líderes não foram os guerreiros sanguinários, mas sim os movidos por colaboração, altruísmo e solidariedade. Esses despertam em seus liderados o desejo de servir e de dar sentido à vida.

Finalmente, o melhor líder de todos os tempos é aquele que sempre sabe que não é a sua visão o que mais importa, mas a visão de todos. Só o sonho que se sonha junto se transforma em realidade, sempre ao redor de uma fogueira para representar a chama que arde em cada um.

Do seu,
Velho Taful



Essa foi a melhor aula sobre liderança que tive, considerando tudo o que havia sido tratado sobre o tema na universidade. Uma lição que jamais esqueci!


André Novo

André Novo

andre.novo@derosemethod.org

Comments:

  • Daniel Amorim

    10 de março de 2019 at 00:08

    André,
    Com certeza um tema muito complexo. Não há muito tempo falávamos que liderança era um dom. Você nasce líder. Mas cada vez mais estamos vendo que essa teoria não é bem assim. A arte de liderar pode ser aprendida, cultivada. E uma coisa que cada vez me faz mais sentido: não preciso ser um grande eloqüente para ser líder. Os tímidos também podem. Saber ouvir e saber o que fazer com aquilo que se ouve é o caminho

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