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Os obstáculos da concentração

Os obstáculos da concentração

Milhares de anos de civilização, trabalho intelectual, avanço tecnológico e sedentarismo, além da falta de predadores naturais, diminuíram sensivelmente nossas habilidades de concentração. Não temos, teoricamente, nenhum outro animal que ameace a nossa integridade física excluindo os membros da própria espécie.

Hoje, as ameaças são muito mais sutis, mas não menos violentas. Esta sutilização é sinalizada por intimidações difusas, dificultando a identificação da coação e mantendo o indivíduo ansioso.

A ansiedade crônica, somada ao estilo de vida sedentário, imobiliza e atrofia as defesas assim como os sentidos da audição, olfato, visão, gosto e tato, e com isso inibe a potência da atenção e concentração.

A continuidade deste estado de inibição sensorial, abre espaço para o desenvolvimento hipertrofiado de um sentimento originalmente desenvolvido há milhares de anos para nos alertar e facilitar nossa sobrevivência: o medo.

O medo, em coeficientes saudáveis, é uma formidável arma defensiva evolutiva, aumentando enormemente as chances de sobrevivência de um grupo ou de uma espécie inteira. Ao medo, a natureza agregou um sentido diferente: olfato, visão ou audição, por exemplo. Com isso, ficou muito mais fácil identificar e proteger-se das ameaças externas, além de liberar coeficientes maiores de neurotransmissores e hormônios que amplificaram as habilidades de fuga ou defesa, crescendo as possibilidades da continuidade das espécies.

Em overdose, porém, o medo inibe o poder de atenção, reação e concentração, deixando qualquer ser vivo em estado de choque, paralisado e, deste modo, vulnerável. Milhões de pessoas, por todo o mundo, habitantes das super aldeias, sofrem desta paralisia emocional.

Entre as causas principais estão:

  • A diluição da responsabilidade por nossas escolhas, pois ao elegermos alguém ou alguma entidade sobrenatural que decida por nós, outorgamos poder à outrem, perdemos poder pessoal e sentirmo-nos inseguros e frágeis quando temos que tomar uma decisão. Com este posicionamento, temos uma macro-população com baixa auto-estima incurável;
  • A falta de vitalidade física, tonicidade, flexibilidade muscular e reflexos ágeis, sinais externo de potência corporal. Os antepassados humanos, caçadores, mantinham-se em excepcional condicionamento como uma necessidade vital. O imperativo da sobrevivência em um ambiente agressivo obrigou nossos antepassados a desenvolverem qualidades físicas que a viabilizassem. Os outros atributos eram: a coragem para tomar decisões, correr riscos, explorar, criatividade e inovação, e que também foram atrofiados pela mudança no estilo de vida. Hoje, mais de cinquenta por cento dos habitantes dos super povoados são sedentários.
    Ao invés de sairmos à caçada usando uma lança, arco e flecha ou machado, entramos em um supermercado, cerceando prateleiras, carregando um carrinho e para derrubar a presa, ao oposto de sacarmos uma arma, tiramos do bolso um cartão de crédito.
  • Estarmos no topo da cadeia alimentar alijou da nossa espécie a necessidade de manter-se permanentemente alerta.

 


Texto do professor Joris Marengo; post original no Blog do Jojó.

André Novo

André Novo

andre.novo@derosemethod.org

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